Thursday, April 19, 2007


Privatização só trouxe perdas para o transporte ferroviário"

A Federação Nacional Independente dos Trabalhadores Sobre Trilhos (Fnitst/CUT) e o Movimento Nacional Contra a Extinção da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e pela Reestatização das Ferrovias divulgaram uma “Carta aos brasileiros”, onde defendem a retomada do patrimônio público e esclarecem “o que não foi dito sobre o setor no Brasil”. Segundo o documento, só a Companhia Vale do Rio Doce deve à RFFSA R$ 1 bilhão.Na Carta, a Federação denuncia que, com a edição da Medida Provisória 283, que reestrutura o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), se tenta liquidar de vez com a RFFSA, criando nesta autarquia uma diretoria de transportes ferroviários que ficaria responsável por dar continuidade à privatização do setor.“A primeira tentativa ocorreu no final de 2005 com a edição da MP 245, derrubada na Câmara dos Deputados, depois de intensa mobilização dos ferroviários e da sociedade. Agora, a pretexto de reestruturar o Dnit, o governo embute na MP 283 todo o conteúdo da medida provisória que foi derrotada na Câmara”, adverte a Fnitst. A entidade lembra que as medidas privatistas, “sempre vêem acompanhadas por matérias publicadas em grandes veículos de comunicação, apoiadas em dados que não expressam a realidade”.“Estamos propondo ao governo Lula a retomada do sistema ferroviário brasileiro, criminosamente entregue com as ‘privatizações’ a partir de 1996, no governo de FHC. Além da Carta, detalhando o desmonte que os consórcios fizeram em toda rede, em nível nacional, estamos realizando audiências públicas na Câmara e no Senado, mobilizando a opinião pública para dar um basta e devolver ao Brasil os trilhos do desenvolvimento, pois a privatização só trouxe perdas e danos às ferrovias ”, declarou o coordenador nacional da Fnitst, Roque José Ferreira, funcionário da RFFSA há 25 anos.Segundo Roque, inúmeras empresas devem à Rede Ferroviária recursos que, investidos no setor, contribuiriam para a sua retomada: “Somente a Vale deve pagar R$ 1 bilhão à RFFSA. Só que a direção da Vale está se negando a desembolsar o dinheiro, sob a alegação de que a dívida foi contraída em parceria no transporte de carga compartilhada antes das ‘privatizações’. O fato é que a dívida ainda não foi paga, porque se a Vale ficou com o patrimônio da estatal por que razão não vai honrar suas dívidas? Queremos que se faça justiça”. Diante de tamanhos abusos, Roque esclareceu que a entidade está trabalhando para que seja criada uma CPI que apure os desmandos das privatizações realizadas durante o desgoverno do PSDB. “Quermos passar uma borracha em todo esse desmonte e retomar o patrimônio público para o povo brasileiro”, enfatizou.Contra a desinformação e a manipulação da mídia privatista, os trabalhadores lembram que a RFFSA tem um patrimônio arrendado de cerca de R$ 40 bilhões e que o valor do patrimônio da RFFSA não sofre correções desde a desestatização (1996). Segundo a Federação, “este patrimônio rende à RFFSA R$ 340 milhões por ano de arrendamento e nem todas operadoras pagam, como a Novoeste. É um patrimônio constituído de 48.000 vagões, 1.700 locomotivas e 26.000 quilômetros de linha abrangendo todo o território nacional, além de terrenos, edifícios, casas, complexos de oficinas, etc, no interior e nos centros das cidades”.A Fnitst alerta que existem mais de 30 mil ações trabalhistas “provocadas pelas demissões de mais de 35 mil empregados pelas concessionárias privadas” que geraram um passivo estimado em R$ 6,5 bilhões de reais. O que não é dito, “é que FHC emprestou do Banco Mundial U$ 750 milhões de dólares para ‘fazer a privatização da RFFSA’ e alocando este empréstimo como um passivo da empresa, quando deveria ser creditado à União”.Há três anos propondo soluções ao governo, a entidade denuncia que encontra enormes resistências dentro do Ministério dos Transportes. “O que não é dito que as concessionárias privadas já abandonaram 10.000 km de linha, 300 locomotivas e mais de 3.000 vagões formando um passivo patrimonial da ordem de U$ 8 bilhões de dólares com a RFFSA! A malha ferroviária da RFFSA ficou reduzida a apenas 16.000 km, voltando a situação do período imperial”, protesta a Federação.O documento, , Fnitst, defende a necessidade de ser levado em conta o valor estratégico da Malha Ferroviária para uma empresa de Logística, que abrange todo o território nacional ligando os grandes produtores aos principais portos e consumidores do país e do mundo. “A falência da Brasil Ferrovias S/A, que ocupou páginas e páginas nos principais jornais do país, e da qual o BNDES é o maior acionista, seguido da Previ e Funcef, é a demonstração mais cabal da falência das privatizações da malha ferroviária nacional”, enfatiza.Os trabalhadores concluem ressaltando que “o governo Lula dispõe de todos os instrumentos jurídicos necessários para cumprir a lei: deve decretar a caducidade dos contratos de concessão de todas as operadoras privadas que não estão cumprindo suas obrigações e ajudando a provocar o apagão logístico no setor de transportes, causando danos irreparáveis à Nação”.

Tuesday, April 03, 2007

Trem francês chega a 574,8 km/h e estabelece recorde mundial de velocidade


Lorena (França), 3 abr (EFE).- Um trem francês bateu hoje seu próprio recorde mundial de velocidade ao circular a 574,8 km/h em um dos trechos da nova linha de alta velocidade entre Paris e Estrasburgo, segundo a homologação oficial.O trem V150 da Alstom estabeleceu a nova marca, que supera a anterior de 515,3 km/h, registrada em 1990 por outro comboio do mesmo fabricante francês, entre as estações de Lorena e Meusa e os pontos quilométricos 191 e 194, que marcam a distância de Paris.O recorde absoluto de velocidade em uma ferrovia é, desde dezembro de 2003, do trem experimental japonês Maglev, de sustentação magnética e que fica suspenso alguns centímetros acima dos trilhos, que registrou 581 km/h.A operação foi acompanhada o tempo todo por um avião que voava sobre o trem de alta velocidade. Quando a locomotiva chegou a marca máxima, os jornalistas e personalidades que estavam em seu interior tinham a sensação de uma certa elevação sobre o solo.O V-150, conduzido por Eric Pieczak, é um modelo da futura quarta geração de trens de alta velocidade da Alstom (TGV), composto por duas locomotivas motrizes e três vagões de dois andares.Para bater o recorde, o comboio foi submetido a uma série de adaptações, como o aumento do diâmetro das rodas de 92 para 109,2 centímetros para limitar a rotação dos motores, e coberturas entre os vagões para melhorar a aerodinâmica.O trem, cuja alimentação elétrica teve que ser aumentada para 30 mil volts com caráter excepcional para nutrir as duas locomotivas e o vagão central, desenvolveu uma potência de 19,6 megawatts.Quanto à ferrovia, além da montagem de condensadores suplementares para poder aumentar a voltagem, houve uma imobilização das agulhas nas passagens móveis. Por outra parte, as forças de segurança se encarregaram de que todas as vias de circulação que atravessam o trecho no qual a prova foi realizada estivessem bloqueadas ao tráfego.A Alstom, a companhia ferroviária francesa SNCF e o gerente de infra-estruturas fixas RFF pretendem com este marco de 574,8 km/h demonstrar o valor de suas tecnologias com vistas à exportação da alta velocidade, em particular a países como a Argentina, que vai tomar uma decisão em breve sobre a construção de novas linhas.O fabricante queria oferecer com este recorde uma margem de pelo menos 200 km/h entre a velocidade máxima possível e a velocidade de exploração da nova geração de trens, que será de 350 km/h, frente aos 320 km/h da linha entre Paris e Estrasburgo, que começará a funcionar em 10 de junho.No trem que alcançou a nova marca estavam o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; o comissário europeu de Transportes, Jacques Barrot; acompanhados pelos presidentes da Alstom, Patrick Kron; da SNCF, Anne-Marie Idrac; e da RFF, Hubert de Mesnil.